|
Jorge Beloqui* Aspectos que devem ser levados em consideração ao participar de um teste clínico
Você está pensando em aderir a um teste clínico com uma combinação nova de remédios para Aids, ou até velhas medicações em doses novas. Mas não sabe se entra ou não. Bom, essas decisões são pessoais: é você quem vai correr riscos e ter benefícios. Há coisas que não se sabem sobre a medicação, e muitas dessas coisas vão ser estudadas a partir do que acontecer no seu corpo, se você entrar nesse ensaio. Um papo com alguém de sua confiança ou com uma ONG/Aids pode trazer dados esclarecedores. E aja com muita calma, não se apresse a entrar se você não estiver integralmente certo do que você está fazendo. Pare um pouco para pensar! Há algumas perguntas que você pode fazer: a) Este ensaio já foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa? Pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep)? Ambas as respostas devem ser "sim". Estes são órgãos que analisam um pedido de ensaio clínico e o aprovam ou reprovam. b) Se você nunca tomou medicação anti-retroviral, pergunte: eu tenho indicação de tratamento segundo as Diretrizes de Tratamento do Ministério da Saúde? Peça a quem lhe sugeriu entrar no ensaio que ele mostre as Diretrizes e eventualmente dê uma cópia para você. Se você tiver indicação de tratamento, lembre que há várias combinações já estudadas e consagradas. Quais seriam as vantagens de você usar uma terapia em estudo e ainda não consagrada? Se você não tiver indicação de tratamento segundo essas Diretrizes, relaxe: você não tem pressa. E lembre-se de que a medicação anti-retroviral deve ser tomada adequadamente: este é um tratamento muito exigente. Você tem que estar preparado emocionalmente para encará-lo. Neste caso, se você tiver alguma dúvida, é melhor não entrar no teste, por enquanto. c) Antes de você entrar no teste, um médico deve apresentar um documento chamado Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), que você deverá assinar se aceitar entrar. Leia-o com cuidado e faça todas as perguntas que achar necessárias à pessoa que lhe apresentou o documento. Não assine ainda: leve uma cópia para casa e mostre para sua família, amigos. Discuta. Quais são os riscos e benefícios ? O que acontecerá se a terapia se comprovar eficaz: você vai continuar a recebê-la sem custos? Pelo tempo que precisar? E se você passar mal, a quem recorrer 24 horas? Qual é o seguro para ressarcimento de danos e lesões? Existe a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde que resguarda seus direitos. Peça uma cópia dela ao médico. Ele deve conhecê-la. d) Para pessoas que nunca tomaram nenhum anti-retroviral: analise quais são as terapias oferecidas pelo ensaio. Pelo menos uma delas deve ser uma terapia consagrada (também chamada de controle) e outras podem ser experimentais. A terapia consagrada deve estar no elenco relacionado nas Diretrizes do Ministério de Saúde. Pergunte à pessoa que está dando o TCLE qual é a terapia de controle e peça que ele a mostre nas Diretrizes. Se não estiver no elenco, caia fora! e) Se você já tomou terapia anti-retroviral, e alguma nova combinação está sendo oferecida, isso acontece talvez porque sua terapia está falhando ou apresentando muitos efeitos colaterais. Pergunte se há outras opções já consagradas, e pergunte o que recomendam as Diretrizes. Mas afinal, quais são as vantagens de entrar num ensaio clínico? Bom, uma delas é que você certamente vai ter um acompanhamento mais de perto do que o que você receberia normalmente. Vai ter consulta e exames realizados pontualmente. Você também vai contribuir para o avanço do conhecimento sobre Aids, e outras pessoas no futuro podem se beneficiar dele, assim como alguns se beneficiam do conhecimento obtido até hoje sobre medicação devido a testes realizados nos corpos de outras pessoas. Isso não é pouca coisa, mas a opção e o corpo são seus.
| Idioma |
Home |
A Aids |
Produtos & Serviços | |